Coluna da sexóloga Laura Ferreira
A
Timidez
Por Laura Ferreira
“A
timidez é uma reação de fuga _ atinge
todas as pessoas – timidez e medo de rejeição
estão interligados _ O tímido tem menos determinação
do que o necessário – a relação
entre pais e filhos é determinante no desenvolvimento
da timidez”.
Eduardo Mascarenhas (Psicanalista)
A
timidez tem sido um enorme obstáculo na vida
daqueles que são acometidos por ela, dificultando
o crescimento pessoal e profissional, principalmente
para os jovens, que deveriam desfrutar de uma vida plena.
A pessoa que sofre de timidez não consegue ser
espontânea. A inteligência e a graciosidade
declinam objetivamente.
Timidez não é um medo qualquer, é
gente com medo de gente. É estar diante de pessoas,
com medo de não ser aceito. De ter seu prestígio
colocado à prova . É não ter confiança
em si próprio; é como se sentisse “a
alma abandonando o corpo”. Um medo inexplicável
acompanhado de algumas alterações fisiológicas,
como aceleração da respiração
e dos batimentos cardíacos, suor, tremor e palidez,
que denunciam um descontrole emocional total. Em outras
palavras, é um padrão de comportamento
em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco)
os pensamentos e sentimentos, e não interage
ativamente.
O tímido não consegue, a princípio,
criar grandes expectativas para o seu futuro, pois imagina
que para isso precisará estar junto de pessoas
estranhas; e a timidez se manifesta muito mais forte
diante de estranhos por uma razão óbvia:
não se conhece o outro e não há
como saber como o receberá. Daí o medo
do novo, das situações ainda não
suficientemente conhecidas.
A timidez nos coloca “desarmados”, e se
pudéssemos agir como crianças, sairíamos
correndo para casa ou para o colo da mãe, onde
encontraríamos refúgio. Como não
podemos, por não sermos mais crianças,
ficamos ali diante do medo, desesperados, rígidos,
sem ação, sem palavras, prestes a sermos
“atacados”, isso porque não estamos
ali por inteiro.
O tímido leva uma vida muito limitada em suas
relações sociais, e atividades como falar
em público, por exemplo, coloca-o diretamente
diante do perigo, com uma possibilidade imensa de expor
seus fracassos diante de muita gente, e isso o apavora!
E nessa hora, pensa pequeno, sente pequeno, age pequeno.
Sua vulnerabilidade às frustrações
é espantosa; quando consegue alguma coragem para
agir, faz de forma ansiosa e precipitada, pondo tudo
a perder por não ter o controle da situação.
E por isso, sofre ainda mais.
A onda do “ficar” para o tímido chega
a ser desastrosa, pois precisará estar repetidas
vezes diante de alguém desconhecido, por isso
ele rejeita; e assim, por medo de arriscar uma paquera,
custa muito a se envolver afetivamente com alguém;
a menos que esse alguém invista no relacionamento.
Os males da timidez são inúmeros. Pessoas
tímidas dão, sim, muita importância
ao que os outros falam e pensam a seu respeito. Por
mais que se possa negar isso, lá no fundo, a
questão é bem essa: medo de não
ser aceito, medo de receber críticas, enfim,
medo de ser você mesmo. Perdemos muitas oportunidades,
deixamos de aproveitar muitas coisas boas, deixamos
de viver experiências fascinantes por medo do
que vão pensar de nós…Bobagem!
A
seguir estão relacionadas algumas razões
para o surgimento da timidez (segundo pesquisa da Psicóloga
Adriana Araújo):
•
Baixo auto-estima - a criança ou o adolescente
estima, deseja, quer coisas diferentes do que ela pode
realizar, deixando de dar valor a tudo o que é
e o que possui. Atribui ao outro uma importância
maior. Deixa de governar a si próprio e passa
a viver a mercê de idéias fantasiosas de
um outro que pune, é rígido e severo.
Cada criança possui suas peculiaridades, diferenças,
semelhanças e acima de tudo: é única.
Não há valor maior que esse;
•
Vergonha – a idéia de um "defeito"
no ser é a percepção de que há
algo errado, de que alguma coisa não está
certa e que todos vão reparar, achar graça
ou se ofender com aquele comportamento. A criança
envergonhada tem vontade de esquecer o que aconteceu,
de se esconder, desaparecer e até mesmo sumir.
Se pudesse voltar atrás e corrigir aquilo que
elas julgam errado, fariam com toda a certeza. Esta
forma de pensar leva ao isolamento. Quando a criança
está sozinha ou próxima de pessoas que
confia, sente-se protegida, pois não há
crítica de outros e não há ninguém
que possa reclamar ou mesmo corrigir tais erros. A maior
falta existente não está no erro cometido,
mas na incapacidade de corrigi-lo;
•
A crítica e a rigidez consigo mesmo, o medo de
errar e o perfeccionismo - pensamentos de inadequação,
achar-se diferente, querer acertar sempre. Pessoas tímidas
perdem excelentes oportunidades de aprender a conviver
com as demais por medo de se expor, trocar idéias
e experiências. "É só errando
que se aprende...". Criticar a si próprio
é uma qualidade que, fora da medida e em excesso,
deixa de ser algo bom, pois saber criticar e poder corrigir
a si próprio é um sinal de maturidade,
em todas as idades;
•
À agressão - a timidez pode vir dissimulada
através de comportamentos agressivos, geralmente
expressos pelo adolescente. Momentos de raiva ou até
mesmo de indiferença mantêm as outras pessoas
à distância, evitando o contato, que para
as pessoas tímidas se torna terrivelmente ameaçador.
E
, o que fazer?
Como
já sabemos, a timidez é causada por diversos
fatores, um deles pode ser o desconforto com o próprio
corpo. Ao não gostar de uma parte do corpo (ou
todas elas!), a pessoa faz absolutamente de tudo para
evitar que os outros a enxerguem: fica quieta, senta
sempre no fundo de uma sala ou palestra, rezando para
que ninguém a note. E o tratamento varia de pessoa
para pessoa. Na verdade, não existe uma cura
propriamente dita, mas sim descobrir as causas que levam
uma pessoa a ser tímida e trabalhar em cima disso.
Listar as maiores dificuldades, é um bom começo:
falar com alguém que não conhecia e expor
a sua opinião de forma voluntária, ou
criar alguma coisa só sua. Começar a vencer
os medos, enfrentando-os . Mas, posso adiantar que isso
não é tarefa fácil, geralmente,
não se consegue isso sozinho. A terapia pode
muito nessas situações, pois vai ajudar
a desenvolver a autoconfiança. Aos poucos, as
coisas vão fluindo. Quando se quer uma coisa
e se trabalha para isso, os resultados aparecem.
Não podemos nos trancar na tristeza e no isolamento.
Não é assim que se resolvem os problemas.
E como no poema Faxina na Alma de Carlos Drumond de
Andrade: “Quando nos trancamos na tristeza, nem
nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis,
o mal humor vai comendo nosso fígado, até
a boca fica amarga”.
Pense nisso! Até a próxima